Thursday, July 08, 2004
à paz dos seres que não se mostram
um momento de silêncio
uma imagem contemplada
um leve som, ao longe escutado
um obrigado por pemanecerem na escuridão, no segredo da vossa existência
por fazerem o mundo girar
por fazerem a chuva cair
por fazerem o vento soprar
obrigado pela fantasia que permitem, pela realidade que escondem
obrigado pelos sonhos
obrigado pelos sons do silêncio
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Sunday, May 16, 2004
Desisti de tudo
Já nem acredito na minha própria existência
Talvez esse seja o motivo pelo qual as outras fadas não apareceram; se calhar não existem
pensei ser eu própria uma fada, mas talvez seja apenas ilusão daquilo que gostava de ser
Desisti de voar
Vou abandonar-me à força dos ventos, da chuva, do sol e da lua
As minhas asas mirraram com o sofrimento provocado pela consciência da realidade
O mundo mentiu-me
Não posso viver e continuar a voar se já não confio no vento que me transporta, na chuva que me molha, no sol que me aquece, na lua que me adormece
Desisti de voar
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Monday, February 09, 2004
Levantou-se, espreitou, esvoaçou, rastejou até entre várias raízes e não viu nenhum duende. Lembra-se de ter combinado com as outras fadas e os duendes que naquele dia se encontrariam. E eles arranjavam sempre forma de as descobrir.
E as fadas? Onde andariam as outras fadas?
Já era costume esquecerem-se, mas os duendes também se esqueceram?
Era o dia de festejar o abrir dos lírios. Era um dia tão importante. Sempre tinha sido um dia tão importante e este ano esqueceram-se?
E agora, que havia a pequena fada azul de fazer? Não podia festejar sozinha; não fazia sentido.
Nem tão pouco fazia sentido chamar agora as fadas. Elas tinham-se esquecido!
Todos se tinham esquecido!
Isso era o mais importante. Isso era o mais triste.
Tinham-se esquecido
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Saturday, December 27, 2003
queda do alto de um sonho...
...e quando se deu conta, a sensação foi a de ter caído do alto de um sonho.
De repente nada lhe parecia como dantes. Tudo à sua volta tinha mudado; aliás, até ela própria parecia ter mudado.
Não foi apenas por esta tempestade; já outras tempestades de vento a tinham abanado.
E apeteceu- lhe ficar sozinha.
E sentiu- se mais sozinha que nunca.
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Wednesday, December 24, 2003
...e o vento soprou com tanta força que a pequena fada azul foi empurrada contra o tronco de uma árvore.
Quando conseguiu refazer- se, sacudiu bem as asas, endireitou o pescoço e olhou à volta.
A tempestade de vento era demasiado grande para si. Não adiantava lutar. Encostou- se à árvore, aninhou- se e ficou ali... à espera que tudo passasse... sem saber quando passaria, se algum dia passaria...
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Sunday, December 21, 2003
este é o meu primeiro post no meu blog
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