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Tuesday, December 07, 2004
Caem gotas das árvores

Madrugada.
Estou num bosque encantado. Que não existe. Sei disso.
Uma névoa densa cerca-me. As folhas secas picam-me os pés. Reparo que estou descalça. As lágrimas caem-me e salpicam-me os pés descalços. O ruído da sua queda assusta os pássaros que levantam voo apressadamente. São melros, parece-me. Pássaros negros de bico laranja.
Procuro as mãos, mas não as vejo, apesar de saber que estão lá.
Não sei se caminho ou se estou imóvel. Sei apenas que estou sozinha.
A névoa adensa-se cada vez mais. Pingam gotas frias das folhas das árvores. Atrás de mim. Rodopio à sua procura. Molham-me. Estico os braços no ar. Tombo a cabeça. Encosto-me a um tronco. Assisto ao pingar constante. Assemelha-se a uma qualquer melodia.

Posted at Tuesday, December 07, 2004 by fadazul

 

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